sexta-feira, julho 18, 2003

Soltando o verbo

Faço um esforço sobre-humano para não ser contagiada com trejeitos e comportamentos escusos do meu saudável ambiente de trabalho. Um deles é não cair na mesquinharia da minha colega Cledi, que vinda lá dos longínquos cantos de Rosário do Sul, há longínquos anos atrás (sim, porque ela não cozinha mais na primeira fervura), tem o árduo trabalho de medir uma bolachinha waffer para não se sentir lesada na divisão e, neste exato momento, enfiou um pastel inteiro na boca para não correr o risco de ser atacada por um pouco de educação e oferecê-lo aos colegas. E por falar em cozinhar na primeira fervura, ela mesma admite que quando toma banho muito quente, o bandoleiro do velho oeste, seu marido Jesse James, coloca uma panelinha para coletar a água e fazer uma canja de galinha (essa é muito podre, mas enfim, coisas do dia-a-dia). Mas com todas as mesquinharias e palavras ditas na língua solta, não posso negar que é uma excelente colega. Tem uma vida pregressa que renderia uma ótima biografia a la Fernando Pessoa, e eu jamais utilizaria o jargão: “Se cair de quatro não levanta mais”. Quem tem autoridade para dizer essas coisas, não extamente com estas palavras, é o bandoleiro Jesse James, que aliás já está curtindo uma aposentadoria integral às custas do Regime PRÓPRIO de Previdência Social. E a nós o que nos resta? O Regime GERAL de Previdência Social e rezar um Pai-nosso e uma Ave-Maria, e que Deus e Alá nos proteja.