Moro em Porto Alegre e uma coisa que me sensibiliza muito são os moradores de rua ou mendigos que "residem" em minha cidade. Por conta disso, presto atenção no que se passa com eles bem como em seus rápidos diálogos. Presenciei várias situações engraçadas mas relato três muito interessantes.
Numa manhã muito fria estava saindo de meu prédio para o trabalho. Em frente estava deitada uma mendiga cheia de sacolas. Era muita sacola! Fiquei impressionada pela quantidade e parei para olhar e pensei comigo mesma: "Como é que ela carrega tudo isso?" Não demorou muito para ser interpelada pela própria mendiga que acabara de acordar, com a seguinte pergunta: "O que você tá olhando, sua invejosa?"
Outra vez, em um domingo de manhã, estavam deitados no chão três mendigos. Dois homens e uma mulher. Estavam completamente bêbados, esfarrapados e o mau cheiro exalava a muitos metros do local onde os mesmos encontravam-se. A mulher começou a bater em um deles dizendo: "Me devolve o meu desodorante! Por que você quer meu desodorante se você não toma banho?" (Até parece que o desodorante era verdadeiro e que ela tomava banho....)
E para encerrar, presenciei uma discussão de um casal de mendigos. Esse casal, juntamente com seu filho e um senhor idoso, dormiam debaixo de uma marquise em frente à Livraria Sulina. Certa manhã era possível ouvir a discussão de longe cujo diálogo deu-se da seguinte maneira:
Homem: - Eu deveria ter me casado com uma mulher rica!
Mulher: - Eu é que deveria ter casado com um homem rico!
Homem: - Por que? Tá te faltando alguma coisa?