quinta-feira, julho 17, 2003

O HOMEM QUE FALAVA (ou melhor que COPIAVA)

Em alguns momentos tive a sensação de estar vendo o remake do curta “A Ilha das Flores”, que a bem da verdade não lembro se foi dirigido pelo mesmo diretor. Mas se não foi, está bem parecido. Na minha paupérrima opinião, achei algumas cenas extremamente desnecessárias. Cansei da explicação interminável de como operar com uma máquina fotocopiadora, como se não bastasse todos os dias ter de enfrentar esse serviço estafante de tirar cópias, que aliás é a marca registrada de todo o serviço público. O que seria da burocracia se não existisse uma máquina fotocopiadora? Os processos seriam minguados e não perderíamos nosso tempo ocioso tendo que passar os dedinhos com as unhas roídas nas infindáveis folhas cheias de manuscritos (muitas vezes indecifráveis); despachos do tipo DE para AO, de AO para DE, de DA para À, do Exmo. para o DD., do CHEFE para O, do O para a PQP.... Inconcebível um processo com meia dúzia de folhas, sem orelhas ou sujas de cafezinho. Isso seria o princípio do fim. A indústria de celulose estaria fadada ao desaparecimento. A clientela (compulsória) resolveria seus problemas imediatamente não correndo o risco de voltar trocentas vezes à mesma repartição porque esqueceu da fotocópia autenticada da certidão, da xerox da identidade, da averbação do divórcio litigioso na carteira de trabalho. Como tudo seria sem graça se não existisse a máquina fotocopiadora! E esta loquacidade, em tudo que falo e escrevo? De um filme do Jorge Furtado descambei para pornografia do serviço público. E ainda dei ouvidos a um amigo meu que garantiu ser o melhor filme brasileiro que ELE viu. Me poupe, Paulo Pandolfo, isso é uma falácia. O filme pode ser considerado bom, mas daí a ser excelente, temos longos caminhos a percorrer.


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